A Casa de Cultura do Parque apresenta, de 25 de julho a 25 de outubro de 2026, a exposição coletiva Rajada encarnada, como parte de seu II Ciclo Expositivo do ano. Com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico da Casa, a coletiva reúne trabalhos de Ana Prata, Anderson Borba, Maria Andrade, Pedro França e Rodrigo Andrade.
A mostra propõe uma reflexão sobre procedimentos e operações que constituem a prática artística e a obra de arte, destacando diferentes linguagens, modos de construção e materialidades que reverberam intensidades. No texto crítico, Thais Rivitti aponta que não cabe formular uma ideia geral ou um endereçamento conceitual capaz de dar conta do conjunto apresentado, uma vez que a exposição convida o público a observar de perto como os artistas trabalham e constroem sua pesquisa ao longo do tempo.
A exposição conta com dois grandes trabalhos de Pedro França (Rio de Janeiro, 1984) que partem de um suporte fragmentado, composto pela colagem de pedaços menores de papel. Sua estratégia de construção é a do acúmulo, na qual os desenhos do artista, transferidos para a tela por meio da técnica da monotipia, vão se sobrepondo, criando densidade e peso pela insistência e abundância das linhas e marcas importantes do labor do artista: áreas rasgadas, sobreposições, colagens.
Nos trabalhos de Anderson Borba (Santos, 1972), em oposição ao acúmulo, a ação muitas vezes começa com a subtração de matéria, por meio do desbaste da madeira, o gesto de entalhar, perfurar e escavar. Suas esculturas também evidenciam uma atenção especial às superfícies, aproximando-se de questões da própria pintura: além do volume e peso, sua obra investiga as formas de percepção da matéria.
No campo da pintura — embora os artistas entrelaçem linguagens a todo momento — as pinturas leves e atmosféricas de Maria Andrade (São Paulo, 1967) são conduzidas pela cor. Na série escolhida para a exposição, ela instala pequenas asas de metal nos trabalhos, criando um território em suspensão que oscila entre a ideia de tornar os objetos flutuantes e presos no espaço.
Já Ana Prata (Sete Lagoas, 1980) aproxima-se do mundo cotidiano — com fragmentos da arquitetura, revestimentos, móveis e objetos domésticos — para deslocar suas condições habituais e ampliar não somente sua presença no campo visual, mas também a condição de isolamento dos objetos no vazio. Também utilizando o mundo como um repertório plástico, Rodrigo Andrade (São Paulo, 1962) dá atenção à tinta como matéria. Em sua longa trajetória no campo da pintura, a tinta se torna um material quase escultórico, com densidade e peso, criando superfícies ásperas ou lisas, que se apresentam de formas diferentes ao espectador.
O II Ciclo Expositivo tem curadoria de Claudio Cretti e é uma idealização do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e foi realizado com recursos da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, com patrocínio do banco BV, Laranjinha e Banco Itaú.
Imagem:
Rodrigo Andrade
Morada do ermitão, 2024
Óleo sobre tela sobre MDF
Foto: Raphaela Campano
Abertura: sábado, 25 de julho de 2026, 14h–18h
Período expositivo: 25 de julho a 25 de outubro de 2026
Quarta a domingo, das 11h às 18h
📍 Casa de Cultura do Parque

