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GALERIA DO PARQUE | PALAVRA E GESTO
Fabio Miguez, Marcelo Cipis, Maíra Dietrich, Marilá Dardot, Monica Barki e Rafael Alonso
02/08/2025 até 09/11/2025
A Casa de Cultura do Parque tem o prazer de apresentar o II Ciclo Expositivo de 2025, sob direção artística de Claudio Cretti, com abertura no sábado, dia 2 de agosto às 14h, com diversas exposições. Ocupando a Galeria do Parque, a mostra “Palavra e gesto” reúne trabalhos que surgem da intersecção entre pintura e escrita, com curadoria de Claudio Cretti.
Os artistas Fabio Miguez, Marcelo Cipis, Maíra Dietrich, Marilá Dardot, Monica Barki e Rafael Alonso se debruçam sobre a potência gráfica da palavra, tensionando imagem e texto. Do poema à propaganda, do livro à embalagem, os trabalhos aqui reunidos formulam poéticas verbo-visuais singulares que remontam a práticas artísticas encontradas na visualidade vernacular e cotidiana – abaixo, o texto crítico de Camila Bechelany:
Palavra é gesto
Antes de se tornar linguagem verbal estruturada, a escrita era, de fato, imagem. Até onde sabemos, a escrita nasceu do gesto gráfico, da marca deixada sobre a superfície, da tentativa de fixar o efêmero – a palavra, o som, o pensamento – em matéria visual.
“Palavra e gesto” explora a relação entre palavra e imagem tendo o gesto do artista como foco de interesse. A aproximação de obras de diferentes gerações e em diferentes mídias oferece um olhar ampliado de como a palavra escrita aparece como significante de interesse na arte contemporânea, criando sentido e deslocando significados.
Nas pinturas de Fabio Miguez e Rafael Alonso, as palavras têm, além de seu sentido verbal, uma presença visual que imprime ritmo e peso às imagens. Ambos os artistas se voltam ao contexto urbano como fonte de referências e composição. Na série Placas, Miguez trabalha com fragmentos apropriados de elementos arquitetônicos, muros e fachadas, reproduzidos com variações cromáticas e formais que revelam influências construtivas. A palavra atua como um elemento simultaneamente compositivo e disruptivo no quadro. Já em Alonso, o texto assume o mesmo peso que os elementos pictóricos: é parte da elaboração da pintura. Suas palavras — quase sempre humorísticas — contrastam, complementam ou divergem da imagem. A escolha tipográfica varia conforme o sentido da obra, podendo remeter ao design publicitário, à paisagem tropical ou a expressões da linguagem oral contemporânea.
Se colocarmos duas coisas lado a lado, a mente tentará atribuir um significado à associação. Mas, como nos ensinou o célebre A traição das imagens (1929), de René Magritte, pode haver conflito entre o que se vê e o que se lê. Há coisas e há representações de coisas — e esse é justamente o jogo que interessa a Marcelo Cipis. Com humor, seus desenhos e pinturas incluem legendas non-sense para cenas non-sense. Muitas vezes, as palavras estão integradas às figuras: elas próprias formam as linhas, indicando que escrever é, literalmente, desenhar.
Para Marilá Dardot e Maíra Dietrich, o texto não é apenas elemento constitutivo da imagem — ele é o próprio tema da obra. Em Léxico, Dardot reúne gravuras compostas por palavras com os prefixos “des” e “re”, combinadas de maneira aleatória. Produzidas a partir de embalagens Tetra Pak descartadas, as gravuras funcionam como metáforas da própria língua: uma fonte infinita de criação e recriação de significados por justaposição. Já Dietrich pensa o texto para além da articulação verbal — como fenômeno físico. Em Ritmo, palavras impressas sobre lonas e tecidos repousam sobre uma estrutura metálica, como se performasse a cadência de vozes simultâneas. A linguagem, aqui, desloca-se de sua função prática e torna-se campo de embate sensível.
Por fim, Monica Barki apresenta uma série de objetos com bobinas de papel e tecido contendo imagens e palavras coletadas do cotidiano urbano — grafites, anúncios, placas de rua. Ao deslocar esses fragmentos textuais para o espaço da arte, Barki tensiona a fronteira entre palavra e imagem, não como oposição, mas como campo fértil de ambiguidade. Ao contrário de outras imagens, as palavras carregam sentidos mesmo quando abstraídas de sua forma gráfica — e é essa tensão entre leitura e visualidade que se torna matéria poética.
Abertura: sábado, 2 de agosto de 2025, 14h–18h
Visitação: de 2 de agosto a 9 de novembro de 2025, de quarta a domingo, das 11h às 18h
📍 Casa de Cultura do Parque
Apoio: Galeria Lume e Galeria Marília Razuk