educativo
PROSA DO VESTIBULAR
29/08/2026 até 17/10/2026
Entrada gratuita
A Casa de Cultura do Parque realiza a 6ª edição do programa gratuito Prosa do vestibular, uma imersão literária que celebra a riqueza e a diversidade da escrita em língua portuguesa. Com encontros presenciais aos sábados, das 10h às 12h, de 29 de agosto a 17 de outubro de 2026, o programa é dedicado a obras que marcaram e continuam impactando a literatura, com idealização e realização do Instituto de Cultura Contemporânea – ICCo.
Ao longo dos nove encontros do programa, que tem por objetivo o debate de leituras obrigatórias da Fuvest para o ano de 2027, o público é convidado a explorar as obras de autoras de língua portuguesa, em narrativas que abordam desde a condição feminina no Brasil do século 19, como em “Memórias de Martha” (1899), de Julia Lopes de Almeida, a profundas questões filosóficas sobre a existência humana em “A paixão segundo G.H.” (1964), de Clarice Lispector.
A programação também destaca vozes fundamentais da literatura negra com “Canção para ninar menino grande” (2018), de Conceição Evaristo, e o romance pioneiro “Balada de amor ao vento” (1990), de Paulina Chiziane. Além disso, o programa resgata clássicos como “Caminho de Pedras” (1937), de Rachel de Queiroz, e mergulha na poesia precursora de Narcisa Amália com “Nebulosas” (1872).
A dimensão internacional se faz presente com a obra portuguesa “A visão das plantas” (2019), de Djaimilia Pereira de Almeida, e o poético “Geografia” (1967), de Sophia de Mello Breyner Andresen.
Os encontros serão conduzidos por um corpo docente formado por Maria Celeste de Souza, Mariana Angi Roche, Amara Moira, Elizandra Souza, professor Senhorita Bira, Luana Chnaiderman, Flany Toledo, Josué Alves e Camila Alice, prometendo debates enriquecedores e uma jornada inesquecível pelo universo literário.
Em atenção às dificuldades de acesso e mobilidade na cidade de São Paulo, a Casa de Cultura do Parque disponibilizará transporte gratuito para cursinhos comunitários convidados, facilitando a participação dos alunos nas aulas que ocorrerão na instituição.
Toda a programação é gratuita, com classificação indicativa livre, aberta a todos os públicos interessados e está sujeita à lotação do espaço.
Saiba mais detalhes sobre a programação:
29
AGO
CANÇÃO PARA NINAR MENINO GRANDE (2018), DE CONCEIÇÃO EVARISTO
- SÁBADO
- 10h
- Elizandra Souza
A obra tece um mosaico afetuoso de experiências negras, apresentando um canto que é, ao mesmo tempo, amoroso e dolorido. Através do personagem Fio Jasmim, a autora discute com maestria as complexidades e contradições da masculinidade de homens negros e seus efeitos nas relações com as mulheres negras. O livro é um profundo mergulho na poética da ‘escrevivência’ de Evaristo e um tributo ao amor, sob uma ótica raramente explorada na literatura brasileira.
Elizandra Souza é escritora, poeta, jornalista, integrante do Sarau das Pretas e ativista cultural há 20 anos. É autora de 'Quem pode acalmar esse redemoinho de ser mulher preta?' (2021) e 'Filha do fogo' (2020), entre outros. É editora das publicações do Coletivo Mjiba e coorganizadora da 'Antologia Narrativas Pretas – Sarau das Pretas.
Tempo de duração: 2 horas
29
AGO
GEOGRAFIA (1967), DE SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
- SÁBADO
- 10h
- Luana Chnaiderman
A obra tece um mosaico afetuoso de experiências negras, apresentando um canto que é, ao mesmo tempo, amoroso e dolorido. Através do personagem Fio Jasmim, a autora discute com maestria as complexidades e contradições da masculinidade de homens negros e seus efeitos nas relações com as mulheres negras. O livro é um profundo mergulho na poética da ‘escrevivência’ de Evaristo e um tributo ao amor, sob uma ótica raramente explorada na literatura brasileira.
Luana Chnaiderman é formada e mestre em Letras pela USP. É professora de Português e ministra cursos de escrita criativa na Escrevedeira. Como escritora, publicou 'Minhocas' (2014), 'Fuga' (2017) e 'Os animais domésticos e outras receitas' (2018), este último finalista do Prêmio Jabuti em 2019.
Tempo de duração: 2 horas
12
SET
BALADA DE AMOR AO VENTO (1990), DE PAULINA CHIZIANE
Romance de estreia de Paulina Chiziane e obra pioneira por ser a primeira publicada por uma mulher em Moçambique, narra a história de Sarnau, que se apaixona intensamente por Mwando em um amor marcado por idas e vindas e o impacto de uma herança conservadora. Em um relato poético e quase espiritual, a autora explora os encontros, desencontros, escolhas e renúncias de Sarnau. A narrativa lança luz sobre uma sociedade onde certas tradições afetam diretamente a autonomia e a sobrevivência da mulher, revelando a semente do que Chiziane viria a aprofundar em sua aclamada obra 'Niketche'.
Letícia Parks é trabalhadora da USP, pós graduanda em História Social e formada em Letras pela USP. Organizou os livros A Revolução e o Negro e Mulheres Negras e Marxismo. Atua desde 2009 no Esquerda Diário e no Movimento Revolucionário de Trabalhadores, da Corrente pela Revolução Permanente.
Tempo de duração: 2 horas
12
SET
A PAIXÃO SEGUNDO G.H. (1964), DE CLARICE LISPECTOR
Um dos romances mais importantes da literatura brasileira, 'A Paixão Segundo G.H.', propõe a reflexão sobre uma relação simbólica entre o homem e a natureza selvagem animal. A narrativa acompanha a personagem G.H., uma artista e escultora de classe alta que, após a demissão da empregada, decide limpar seu apartamento. O encontro com uma barata se torna símbolo de uma crise existencial, na qual passa a se identificar enquanto sujeito no mundo e seus preconceitos de discriminação de classe, além de reconhecer o outro fora de uma bolha social.
Amara Moira é travesti, feminista, doutora em teoria e crítica literária pela Unicamp e autora dos livros 'E se eu fosse puta' (n-1 edições, 2023) e 'Neca: romance em bajubá' (Companhia das Letras, 2024). Além disso, ela é colunista do UOL Esporte e da Fatal Model e foi tradutora do livro de contos 'Chuva dourada sobre mim' (Diadorim editora, 2024), da travesti argentina Naty Menstrual.
Tempo de duração: 2 horas
19
SET
NEBULOSAS (1872), DE NARCISA AMÁLIA
- SÁBADO
- 10h
- Maria Celeste de Souza
Publicada em 1872, quando a autora tinha apenas 20 anos, a obra se insere no Romantismo brasileiro, reunindo 44 poemas que abordam temas como a natureza, a pátria, a infância, a mulher, a crítica social e a abolição da escravidão. O livro é notável por ser uma das primeiras publicações de poesia escrita por uma mulher no Brasil e por apresentar uma voz feminina forte em um período em que a participação das mulheres na literatura era limitada.
Maria Celeste de Souza é mestre em Educação e doutoranda na FE-USP, com pesquisa em produção textual e literatura. Atuou na educação básica e como assessora pedagógica. Desde 2015, assessora redes municipais em formação de professores e é coautora de material didático premiado pela UNESCO. Ministra cursos no Museu Lasar Segall e LiteraSampa, e participou de júris como o Prêmio São Paulo de Literatura.
Tempo de duração: 2 horas
26
SET
MEMÓRIAS DE MARTHA (1899), DE JÚLIA LOPES DE ALMEIDA
- SÁBADO
- 10h
- Josué Alves e Camila Alice
'Memórias de Martha' é uma autobiografia ficcional que acompanha a trajetória da protagonista desde a infância, no fim do século XIX, vivendo em um cortiço carioca e as dificuldades pelas quais passa com sua mãe, viúva, que precisa trabalhar para sustentar a filha. O livro chama atenção para a situação da mulher naquele período e exalta a importância da educação para a conquista de novas oportunidades.
Josué Alves é professor de História e Geografia e criador de conteúdo digital. Desenvolve um trabalho voltado à análise crítica das relações entre religião, sociedade e política, incentivando a reflexão sobre temas contemporâneos a partir de uma perspectiva histórica e social. Sua atuação combina educação, pensamento crítico e comunicação, tornando debates complexos mais acessíveis ao público.
Camila Alice é professora, palestrante e mentora com experiência na condução de cursos, workshops e projetos educacionais. Sua atuação é marcada pelo compromisso com o pensamento crítico, a construção do conhecimento e a formação de estudantes e profissionais. Também é turismóloga, especialista em Planejamento e Gestão e Mestre em Ciências Ambientais. Possui mais de 15 anos de experiência em educação, consultoria e formação de pessoas, atuando nas áreas de empreendedorismo, inovação e desenvolvimento.
Tempo de duração: 2 horas
03
OUT
CAMINHO DE PEDRAS (1937), DE RACHEL DE QUEIROZ
- SÁBADO
- 10h
- Senhorita Bira
O romance mergulha na Fortaleza dos anos 1930, durante a Era Vargas, e narra a história de Roberto, encarregado de recrutar operários para uma célula de esquerda, e Noemi, que busca um novo sentido para a vida. A conexão intelectual entre eles evolui para um caso amoroso, levando Noemi a testar seus limites morais e éticos em meio à luta política e a uma paixão proibida. Considerado o romance mais engajado de Rachel de Queiroz, 'Caminho de Pedras' revela um socialismo libertário e as primeiras nuances de um estilo introspectivo e de análises psicológicas marcantes. O livro expõe a força de uma mulher que, mesmo em uma sociedade restritiva, decide seguir seus desejos, tornando-se heroína de sua própria história ao desafiar as convenções de seu tempo em busca de liberdade e autonomia.
Senhorita Bira estuda políticas públicas, ciências humanas e pedagogia na Universidade Federal do ABC. Desde 2020, produz vídeos com análises semióticas e sociológicas de figuras públicas e empresas no canal 'O Algoritmo da Imagem' no YouTube, abordando temas relevantes da sociedade contemporânea.
Tempo de duração: 2 horas
10
OUT
A VISÃO DAS PLANTAS (2019), DE DJAIMILIA PEREIRA DE ALMEIDA
- SÁBADO
- 10h
- Mariana Angi Roche
O livro narra a complexa história do capitão Celestino. Após um passado de brutalidade e violência, o protagonista encontra, no crepúsculo da vida, um amor dedicado pelas plantas de seu jardim. De volta a Portugal, o capitão retorna à casa de sua infância, carregando a consciência pesada pelos seus feitos. Embora a vizinhança evite sua aproximação devido aos seus malfeitos, apenas o padre Alfredo o visita regularmente, na tentativa de levá-lo à confissão. No entanto, o único assunto que verdadeiramente interessa a Celestino é o esplendor de seu roseiral, revelando uma peculiar jornada de redenção e obsessão.
Mariana Angi Roche é professora de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental 2 há mais de uma década, é formada em Letras pela FFLCH-USP. Seus estudos e interesses se voltam à literatura, especialmente à relação dos jovens com ela, tema que norteia grande parte de seu trabalho em sala de aula e sua paixão pela educação.
Tempo de duração: 2 horas
17
OUT
OPÚSCULO HUMANITÁRIO (1853), DE NÍSIA FLORESTA
A obra 'Opúsculo Humanitário' de autoria da lendária educadora potiguar Nísia Floresta (1810-1885), aborda a reforma educacional no Brasil e o papel central da mulher na sociedade. A edição definitiva, com estabelecimento de texto e notas de Constância Lima Duarte e prefácio de Stella Maris Scatena Franco, revela a crítica de Floresta às heranças coloniais e práticas punitivistas, propondo uma mudança radical para o ensino brasileiro.
Flany Toledo é educador e pesquisador com mais de 20 anos de experiência. Especialista em Filosofia, Sociologia e História, atua em instituições de ensino de destaque na rede pública e como consultor de organizações governamentais e do terceiro setor. Atua em projetos de entidades como PNUD, CEPAM, além de secretarias estaduais/municipais. Professor do ensino médio e também coordenador geral do cursinho popular Articula Perifa, em parceria com o Cpop/MEC.
Tempo de duração: 2 horas